Houve um tempo em que a poesia insistia em dizer que tudo valia por amor. Era a coragem de atravessar distâncias, enfrentar tempestades e desafiar o orgulho apenas para permanecer ao lado de quem fazia o coração bater mais forte. Hoje, a frase parece ter mudado de dono. Em muitos casos, tudo vale não para conquistar o amor, mas para conservar o poder. Esquecem-se os escrúpulos, a delicadeza, a verdade e até a compaixão. O sentimento cede lugar ao cálculo, e o afeto perde espaço para a conveniência. Talvez a maior pobreza do nosso tempo não seja a falta de amor, mas a inversão de seus valores. Quando o poder vale mais que o afeto, vence quem domina, mas todos perdem um pouco daquilo que nos torna verdadeiramente humanos.