COINCIDÊNCIAS OU CONTINUIDADE?

Há exatos 13 anos, num 31 de agosto, São Paulo assistia a uma cena que parecia saída de uma crônica de humor, mas carregava um recado sério: manifestantes ligados aos Black Blocs atiraram esterco contra a sede da Globo. O alvo não era apenas um prédio. Era o que aquele prédio simbolizava: o poder de poucos veículos em decidir o que merece ser notícia, o que ganha destaque e, principalmente, como os acontecimentos serão contados. O protesto foi grosseiro, certamente. Mas talvez justamente por isso tenha chamado tanta atenção. Quando palavras parecem não atravessar os muros do poder, alguém sempre encontra uma maneira mais barulhenta de bater à porta. Treze anos se passaram. A tecnologia mudou, as redes sociais cresceram e hoje qualquer pessoa pode publicar sua versão dos fatos. Ainda assim, a velha discussão permanece: quem controla a informação também exerce uma forma poderosa de influência. No fim, talvez a história daquele dia possa ser resumida com uma ironia: jogaram esterco contra a televisão para protestar contra a manipulação da informação. E, passados tantos anos, continuamos tentando separar o que é notícia, o que é opinião e o que é simplesmente… esterco.

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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