Há quem entre pela porta da religião carregando, escondida no bolso, uma agenda que nada tem de espiritual. Aproxima-se dos templos, conquista confiança, usa palavras de fé e, pouco a pouco, transforma a crença em palanque para interesses políticos e partidários. Talvez essas pessoas devessem parar por um instante e recordar um ensinamento antigo, simples e profundo da Bíblia: “Tirar a trave do próprio olho.” Antes de apontar o dedo para os defeitos dos outros, é preciso ter coragem para olhar para dentro. Antes de se apresentar como defensor da moral, da verdade e dos bons costumes, convém perguntar se as próprias atitudes estão de acordo com aquilo que se prega. A fé não deveria ser instrumento de poder, muito menos esconderijo para ambições pessoais. Religião é espaço de consciência, esperança e reflexão — não um atalho para interesses partidários. Quem deseja corrigir o mundo precisa começar por si mesmo. Afinal, é difícil enxergar claramente os erros alheios quando ainda existe uma grande trave diante dos próprios olhos.