No futebol, dizem que a melhor defesa é o ataque. Na vida pública, a regra parece ter ganhado outra dimensão: quem espera o adversário chegar já começou a perder terreno. Atacar, aqui, nem sempre significa agredir. Pode ser antecipar-se, ocupar espaços, apresentar ideias, responder antes que a pergunta seja feita. É transformar a defesa em movimento — porque, parado, até quem tem razão pode parecer culpado. E talvez seja assim que caminhe a humanidade, religiosa ou não. Cada tempo inventa seus pecados, seus santos, seus inimigos e suas certezas. Uns rezam antes do jogo; outros confiam apenas na própria estratégia. No fim, todos entram em campo querendo sobreviver ao próximo lance. A diferença é que, na vida pública, não há juiz apitando o fim. O jogo continua. E a melhor defesa, quase sempre, continua sendo não deixar que o outro conte sozinho a história.