Dizia um político da antiga, desses que conheciam bem os atalhos da política, que, quando o adversário não tinha rabo, a gente punha. A história permanece. Só ganhou uma pequena mudança: hoje, todos estão colocando rabos uns nos outros — e, por precaução, os outros nos uns também. O problema é que, nessa brincadeira, quem tem rabo de palha deveria evitar passar muito perto da fogueira. E fogueira é o que não falta. O momento é propício, e a imprensa, naturalmente, gosta do espetáculo. Já não há muita sinceridade. Nem nos editoriais. As defesas e os ataques têm seus motivos. Alguns claros, outros nem tanto. Cada palavra parece carregar uma intenção escondida, uma conta a acertar ou uma conta a receber. E há ainda os editoriais. Dizem que são a opinião do jornal. Talvez sejam. Mas há quem diga que, normalmente, são aquilo que os proprietários gostariam de escrever, mas não escrevem — porque não sabem como. Então convocam alguém para a façanha. E o sujeito escreve. Com elegância, às vezes. Com convicção, quase sempre. E, quando termina, o rabo já está no lugar. Resta saber quem acenderá o fósforo.