Jesus expulsou os vendilhões do templo, mas parece que alguns deles aprenderam a lição errada: em vez de abandonar o comércio da fé, trocaram as bancas pelos palanques. Hoje, há quem se diga profundamente religioso, mas não consiga aceitar que Jesus tenha enfrentado aqueles que transformavam a religião em negócio e poder. Talvez porque reconhecer isso obrigue a olhar para os vendilhões de nosso próprio tempo — alguns deles convenientemente instalados na política, misturando fé, interesses e ambição. De pouco valeu Jesus enfrentar os poderosos da religião se, dois mil anos depois, ainda encontramos quem use o seu nome para proteger justamente aquilo que ele combateu. A história muda de roupa, mas certas práticas insistem em permanecer. E talvez a verdadeira fé não esteja em defender os poderosos que falam em nome de Deus, mas em ter coragem de perguntar de que lado Jesus estaria diante deles.