Desde os primeiros dias da República, a chamada “elite brasileira” parece ter aprendido uma curiosa maneira de fazer política: apresentar velhas ideias com roupa nova e chamar isso de mudança. Trocam-se os discursos, os personagens e as promessas, mas, muitas vezes, permanece a mesma estrutura de poder. Um dos exemplos mais emblemáticos foi a eleição de Fernando Collor. Vendido como símbolo de renovação, modernidade e combate aos privilégios, Collor chegou ao poder cercado de expectativas. O país queria mudança, e ele parecia representar exatamente isso. Mas a história, como costuma fazer, tratou de separar a propaganda da realidade. O governo Collor terminou marcado por graves problemas econômicos e políticos, culminando no impeachment. A promessa de transformação revelou-se, para muitos brasileiros, apenas mais uma mudança de fachada. Talvez essa seja uma das velhas lições da política brasileira: nem toda novidade é transformação. Às vezes, muda-se o rosto para que tudo continue, essencialmente, no mesmo lugar.