Há uma diferença enorme entre ensinar a fé e impor o medo. A catequese cristã, quando verdadeiramente inspirada no legado de Cristo, deveria começar pelo amor, pela acolhida, pela paciência e pelo exemplo. Afinal, Jesus não parece ter conquistado corações pela ameaça, mas pela misericórdia, pelo perdão e pela capacidade de enxergar o ser humano para além de seus erros. Por isso, tenho apreço por aqueles que compreendem que ensinar o cristianismo é, antes de tudo, apresentar um caminho de amor. Gente que orienta sem humilhar, corrige sem aterrorizar e ensina sem transformar a fé em um fardo de cobranças. Em contrapartida, causa-me desapreço ver a doutrinação assumir a forma de uma espécie de lavagem cerebral: culpa em excesso, ameaças, terrorismos espirituais e a ideia de que questionar é pecado. Uma fé construída sobre o medo pode até produzir obediência, mas dificilmente produz convicção. Cristo ensinou a amar. Talvez devêssemos prestar mais atenção a isso. Porque a fé que precisa do terror para se sustentar já perdeu, no caminho, aquilo que deveria ser sua essência: o amor.