Há quem aprenda com a experiência. E há quem, diante dela, prefira correr. O primeiro percebeu a armadilha. Não fez alarde, não derrubou a mesa, não saiu gritando pelas portas. Apenas olhou com atenção, entendeu o mecanismo e contornou o obstáculo. Talvez tenha sido a experiência que lhe ensinou a desconfiar das aparências. Ou simplesmente o tempo, esse professor que cobra caro, mas raramente deixa de ensinar alguma coisa. O segundo também percebeu. Só que chegou a uma conclusão diferente: aquilo não era um espetáculo para ser assistido apenas com os parceiros de sempre. Havia outros atores, outros interesses, outros roteiros. E quando percebeu que poderia acabar representando um papel que não escolhera, preferiu a saída mais antiga e eficiente da humanidade diante do perigo: fugir. Não há grande novidade nisso. Desde que o mundo é mundo, alguns contornam, outros enfrentam, outros negociam e outros simplesmente procuram a porta mais próxima. Na política, então, a cena se repete com figurino novo. As alianças mudam, os discursos se ajustam, os antigos companheiros tornam-se inconvenientes e aquilo que ontem parecia um projeto coletivo pode, de repente, revelar-se apenas um espetáculo com lugares previamente marcados. O político experiente reconhece a armadilha antes que ela se feche. O menos experiente talvez só perceba quando já está dentro dela. E há ainda os que percebem a tempo que o espetáculo não será exatamente como imaginavam. Nesse momento, deixam de discutir o roteiro e passam a procurar a saída. Talvez seja essa uma das pequenas ironias da política: muitas vezes, a experiência não ensina a permanecer. Ensina justamente quando é hora de contornar. E, em certas circunstâncias, quando é hora de fugir. Assim caminha a humanidade — entre armadilhas, espetáculos e portas de saída. Naturalmente, a política caminha junto.