FALTANDO ALTRUÍSMO

Será que falta altruísmo àqueles que não sabem aceitar a derrota em uma disputa? Na política, onde o interesse coletivo deveria prevalecer sobre as ambições pessoais, perder parece, para alguns, algo inadmissível. Incapazes de reconhecer a vontade da maioria, preferem alimentar a discórdia, contestar resultados e transformar o inconformismo em espetáculo. Recorrem, então, ao velho jus sperniandi, o suposto direito de espernear diante de uma derrota. Esperneiam, questionam, acusam e, muitas vezes, ignoram que toda disputa democrática pressupõe uma regra fundamental: saber ganhar, mas também saber perder. O problema não está em contestar, pois questionar é legítimo quando há fundamentos. O problema começa quando a contestação deixa de buscar a verdade e passa a servir apenas ao orgulho ferido de quem não aceita o resultado. Talvez seja justamente aí que o altruísmo faça falta: compreender que a coletividade é maior do que qualquer vaidade individual. Afinal, a verdadeira grandeza política não se revela apenas na celebração da vitória, mas, sobretudo, na dignidade com que se aceita a derrota. Porque, no fim das contas, a democracia não exige que todos concordem com o resultado, mas exige que todos respeitem as regras do jogo. O resto é apenas esperneio — e espernear jamais transformou derrota em vitória.

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