Quando um governo no Brasil anuncia a criação de uma “comissão” para resolver determinado problema, o cidadão já pode preparar o bolso e perder as esperanças. É quase uma confissão antecipada de que a solução não virá. Afinal, comissão é aquele lugar onde os problemas entram andando e saem de ata, relatório e, eventualmente, uma bela fotografia para o arquivo. Agora, os parlamentares também aderiram à moda, mas resolveram modernizar o vocabulário. Em vez de comissão, criam uma “frente”. Hoje há frente para quase tudo: para defender causas, combater problemas, promover ideias e, principalmente, demonstrar que alguém está fazendo alguma coisa. A diferença entre comissão e frente parece ser apenas semântica. O objetivo continua o mesmo: muita reunião, discursos inflamados, nomes pomposos e resultados discretos, quando não inexistentes. Aliás, uma sugestão: que tal criar uma frente parlamentar para acabar com a proliferação de frentes parlamentares? Seria um sucesso! Ou melhor, mais uma frente de sucesso garantido… pelo menos na quantidade de participantes. No fim das contas, os únicos que parecem realmente trabalhar com eficiência são os frentistas dos postos de combustíveis. Esses, pelo menos, abastecem alguma coisa!