DIVIDINDO O PODER

Há quem diga que o Poder não se divide. A afirmação, à primeira vista, parece traduzir uma verdade, sobretudo quando pensamos naqueles que desejam concentrar em suas mãos todas as decisões, vontades e destinos. Afinal, quem chega ao poder muitas vezes acredita que compartilhá-lo significa enfraquecer-se. Mas será mesmo assim? Numa democracia, o poder não precisa ser propriedade de alguém, tampouco instrumento de domínio pessoal. Ele deve ser distribuído, limitado e fiscalizado. É justamente dessa divisão que nasce o equilíbrio entre as instituições e a proteção contra os excessos de quem governa. Talvez a confusão esteja em não distinguir poder de autoridade. O poder pode até ser disputado, mas a autoridade legítima se fortalece quando respeita limites e reconhece outros poderes. A História nos ensina que o poder concentrado tende a dispensar o diálogo, enquanto o poder compartilhado exige negociação, responsabilidade e respeito às diferenças. Portanto, dizer que o poder não se divide pode até fazer sentido para quem deseja governar sozinho. Mas, numa sociedade democrática, dividir o poder não é enfraquecê-lo: é impedir que ele se transforme em privilégio de poucos e garantir que continue sendo instrumento a serviço de todos. Afinal, o verdadeiro desafio não é possuir todo o poder, mas saber conviver com os limites que a democracia impõe.

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