Há países em que o poder se apresenta de terno, gravata e discurso institucional. Em outros, prefere permanecer nos bastidores, longe das urnas, mas suficientemente perto de quem assina decretos, aprova leis, define orçamentos e determina os rumos da economia. O Paraguai oferece à América Latina uma oportunidade de olhar para esse fenômeno e compreender uma velha questão: afinal, quem governa os países? Aqueles que recebem os votos ou aqueles que controlam o dinheiro? Não se trata apenas do Paraguai, tampouco de uma realidade exclusivamente latino-americana. Trata-se de um modelo de organização do poder no qual os mercados financeiros, os bancos, as fintechs, os fundos de investimento, os rentistas, as grandes corporações, as casas de apostas e outros segmentos econômicos procuram garantir que seus interesses estejam sempre protegidos, independentemente de quem ocupe formalmente os governos. A política, nesse cenário, passa a conviver com um poder que não precisa necessariamente disputar eleições, apresentar programas de governo ou prestar contas diretamente à população. Um poder que atua por meio do financiamento, da influência econômica, da pressão sobre decisões governamentais, da circulação de capitais, do controle de determinados setores estratégicos e, principalmente, da capacidade de transformar seus interesses particulares em supostas necessidades nacionais. Quando um governo ameaça contrariar determinados interesses econômicos, surgem os alertas: o mercado está nervoso, os investidores estão inseguros, o dólar reage, os juros pressionam, a confiança desaparece. Curiosamente, quase nunca se pergunta quem é esse mercado, quem são esses investidores e quais interesses estão sendo defendidos. agenda, a legislação, o orçamento e as condições sob as quais os governos podem governar. É uma forma de comando que pode dispensar a ocupação explícita do poder.