Dizem que o mundo já viu de tudo, mas sempre aparece alguém disposto a inovar no absurdo. Antigamente, quando a conversa esquentava, vinha logo o deboche: “vai te queixar pro Papa”. Era uma forma elegante de dizer que ninguém iria resolver, que o problema ia morrer ali mesmo, sem audiência celestial ou terrena. Mas o tempo passou — e não é que resolveram encurtar o caminho? Já não basta reclamar: agora tem gente brigando diretamente com o Papa. A frase, que antes era só ironia de esquina, virou quase roteiro de política internacional. O que era exagero virou manchete, o que era piada ganhou palanque. No meio disso tudo, a gente fica meio perdido, sem saber se ri da ousadia ou se chora pela falta de noção. Porque, convenhamos, se até o Papa entrou na lista de adversários, é sinal de que o bom senso pediu demissão faz tempo. E pensar que antes bastava mandar reclamar com ele — sem risco de resposta.