Há candidaturas que parecem vitrines bem iluminadas: muita forma, pouco conteúdo. Discursos afinados, slogans prontos, promessas genéricas que cabem em qualquer palanque. E ainda assim, prosperam. Talvez porque, em certos momentos, a ausência de proposta seja substituída por emoção, rejeição ao adversário ou simples desconhecimento. Vota-se não pelo que será feito, mas pelo que se imagina ou se deseja acreditar. Uma candidatura sem proposta real não cresce sozinha — ela se alimenta do vazio ao redor. Onde falta debate sério, sobra espaço para o improviso. E assim, o que deveria ser um projeto de governo vira apenas um projeto de poder.