DE PARCEIROS A CONCORRENTES

Na política, há parcerias que começam como casamento em lua de mel: promessas sussurradas, acordos selados com apertos de mão e a certeza — ao menos aparente — de que caminharão juntos até o fim. Mas basta o tempo passar, as vaidades crescerem e o poder entrar pela porta, que o amor vira cálculo. A desconfiança, então, se instala como visita indesejada. Um começa a medir os passos do outro, a contar aplausos, a desconfiar de cada silêncio. O que era parceria vira disputa silenciosa. Já não se divide o palco, disputa-se o centro dele. É nesse momento que o casamento político revela sua fragilidade: quando um deixa de ser aliado e passa a enxergar no outro um adversário em potencial. E, curiosamente, não é preciso rompimento formal — basta o olhar atravessado, a agenda desencontrada e a fala ensaiada. No fim, como em muitos casamentos mal resolvidos, ninguém assume a separação, mas ambos já vivem como concorrentes. E o eleitor, esse sim, assiste ao divórcio sem aviso prévio, pagando a conta de uma união que já não existe.

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