Embora em todas as eleições exista um pouco de tudo, algumas conseguem superar qualquer expectativa. No Pará, por todos os lados, parece estar em grande proporção o inevitável “jogo duplo”. Candidatos recebem apoios que nem sempre significam fidelidade, aliados sorriem para um lado enquanto acenam para outro, e a política ganha contornos de uma verdadeira encenação. O fenômeno não é novo. Ao longo da história, vários políticos já comentaram, de forma direta ou indireta, sobre a tentação da traição nos pleitos eleitorais. Afinal, em tempos de campanha, promessas e compromissos muitas vezes têm prazo de validade menor que os próprios santinhos. A prática se tornou tão conhecida no imaginário popular que até o cinema encontrou inspiração no tema. O sugestivo título “Trair e Coçar é Só Começar” parece servir perfeitamente para descrever certos comportamentos eleitorais. Uma vez iniciado o movimento, alguns não conseguem mais parar. Enquanto isso, o eleitor observa, tenta decifrar alianças improváveis e descobrir quem realmente está com quem. Missão difícil. No tabuleiro político, nem sempre as peças estão onde aparentam estar, e o jogo duplo continua sendo uma das estratégias mais antigas — e mais presentes — das eleições.