O plenário vazio dizia mais do que qualquer discurso. Cadeiras espalhadas, microfones mudos e a pressa silenciosa de quem prefere votar longe dos olhos do povo. Assim, a Câmara dos Deputados aprovou mais uma lei dos partidos — dessas que chegam embrulhadas em palavras bonitas, mas carregam velhos vícios por dentro. Do lado de fora, o país seguia trabalhando, pegando ônibus lotado, tentando fechar as contas do mês. Do lado de dentro, sem debate e sem comunidade, decidiram mexer justamente no período eleitoral, onde cada brecha pode virar caminho para mais dinheiro obscuro e menos transparência. No fim, ficou a sensação de sempre: quando a política perde a coragem de conversar com a sociedade, cresce a desconfiança de que alguém está ganhando no silêncio aquilo que não conseguiria explicar em voz alta.