Há notícias que despertam mais do que curiosidade; despertam espanto. Uma delas foi a nota publicada na tradicional coluna Repórter 70, do Jornal O Liberal, informando que proprietários de cartórios estariam na liderança do ranking nacional de patrimônio acumulado. É interessante. Mas difícil de acreditar sem um inevitável levantar de sobrancelhas. Afinal, cartorários exercem uma função delegada pelo Estado, como serventuários da Justiça, e não deveriam ser vistos como protagonistas de grandes fortunas. Quando uma atividade pública, ainda que exercida em caráter privado, passa a chamar atenção mais pelo patrimônio de seus titulares do que pelo serviço prestado à sociedade, a notícia deixa de ser mera curiosidade e se transforma em motivo para reflexão.