FUTEBOL NÃO PRECISA DE INTIMIDAÇÕES

Houve um tempo em que a malandragem do futebol era feita com inteligência. Morava no drible inesperado, na finta desconcertante, no chapéu bem aplicado, na caneta que arrancava gargalhadas da arquibancada. O autor da arte sorria, o driblado se envergonhava por alguns instantes e o jogo seguia seu curso. A provocação era a beleza do lance, não a violência. Hoje, em muitos campos, a cena parece invertida. Gestos de intimidação, ofensas e faltas desleais são comemorados como se fossem demonstrações de coragem. O aplauso, que antes premiava a criatividade, agora muitas vezes recompensa o excesso. O futebol sempre foi feito de emoção e rivalidade, mas sua grandeza nasceu do talento, não da agressividade. A verdadeira malandragem era aquela que deixava o adversário perdido sem machucá-lo, que fazia a torcida levantar pelo encanto do improviso. Talvez esteja aí a maior saudade: quando a bola era protagonista e o espetáculo dispensava qualquer demonstração de violência para emocionar.

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