Há quem atravesse a vida vestindo capas. Uma para parecer honesto, outra para parecer justo, outra ainda para convencer os distraídos de que é sempre a vítima da história. O tinhoso esperto sabe representar como poucos. Chora quando convém, acusa quando precisa e esconde, com habilidade, as próprias manobras. Mas o tempo tem um costume implacável: derruba disfarces. As capas vão caindo uma a uma, e a nudez da verdade revela aquilo que sempre esteve escondido. Onde muitos enxergavam seriedade, existia apenas encenação. Onde parecia haver caráter, havia somente conveniência. No fim, a verdade não precisa correr; ela apenas espera. E, como ensina o velho ditado, quem tem rabo de palha não atiça — nem passa perto do fogo.