Todo período eleitoral tem um fenômeno curioso: basta abrir as redes sociais para descobrir que determinado candidato já venceu a eleição… pelo menos na internet. É uma enxurrada de declarações de amor, fidelidade eterna, fotos, vídeos, bandeiras, corações e textos emocionados. Quem observa de fora conclui que a disputa acabou antes mesmo de começar. Diante de tanta demonstração pública de apoio, fica a impressão de que não há mais um voto sequer a conquistar. O candidato já pode encomendar o discurso da vitória, mandar passar o terno e apenas aguardar o anúncio oficial das urnas. Mas a urna tem um estranho hábito de não contabilizar curtidas, compartilhamentos nem comentários inflamados. Ela insiste em contar apenas votos. E, de quatro em quatro anos, lembra que a internet faz muito barulho, mas quem decide a eleição continua sendo o eleitor que comparece para votar.