NÃO SERVE NA POLÍTICA

Dizem que só se joga pedra em árvore que dá fruto. Bonita frase. Conforta egos, adoça derrotas e serve como analgésico para quem vive cercado de críticas. Na política partidária, então, o provérbio ganha status de tese científica: quanto maior a chuva de pedradas, maior deve ser o pomar. É uma lógica curiosa. Se um candidato é alvo de ataques, logo aparecem os intérpretes do destino garantindo que aquilo é prova de sua grandeza. Afinal, ninguém perde tempo mirando o irrelevante. Por esse raciocínio, bastaria contar as pedras para descobrir o vencedor, dispensando debates, propostas e até eleições. O problema é que nem toda pedra encontra uma árvore carregada de frutos. Algumas acertam troncos ocos, outras são lançadas por puro esporte, e há ainda as que voam apenas porque alguém gritou: “Atira!”. Na política, críticas podem revelar virtudes, defeitos, interesses ou simplesmente o barulho de uma disputa onde ninguém aceita ficar sem munição. Talvez o velho adágio continue tendo sua dose de sabedoria. Mas, antes de concluir que uma árvore é excelente porque recebeu muitas pedradas, convém verificar se ela realmente produz frutos — ou apenas faz sombra para quem gosta de arremessar pedras.

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