“Quem não consegue carregar o pote não deve usar rodilha”, ensinam os mais experientes. O velho ditado lembra que não basta a vontade de caminhar; é preciso ter condições de sustentar o peso da jornada. Na disputa eleitoral, a lição parece ganhar novo sentido. Diante de uma corrida marcada pela desigualdade de recursos, estrutura e visibilidade, algumas candidaturas aos parlamentos já deixam transparecer sinais de desistência antes mesmo da reta final. Não por falta de sonhos ou convicções, mas porque a política, muitas vezes, exige mais do que coragem: cobra fôlego, organização e meios para seguir em frente. No fim, a rodilha continua firme sobre a cabeça de poucos, enquanto muitos percebem que o pote é pesado demais para quem foi chamado a disputar em condições tão desiguais.