Há um ritual silencioso que costuma acompanhar as trocas de poder. Os que deixam o comando até podem se despedir, mas alguns de seus familiares parecem nunca aceitar que o tempo mudou. Ainda que o sucessor seja um velho aliado, a comparação vira hábito, e a nostalgia, argumento. Pelos corredores públicos, multiplicam-se os resmungos discretos. Atrás dos biombos da inconformidade, nascem críticas sussurradas, quase sempre acompanhadas da certeza de que, no passado, tudo funcionava melhor. O novo gestor mal começa a caminhada e já precisa conviver com a sombra de quem insiste em governar pela memória. No fim, o poder muda de mãos, mas nem todos conseguem desapegar dele. E, às vezes, o cargo é deixado para trás; o sentimento de posse, esse continua circulando pelos corredores.