POLÍTICA SEM CONTRAPONTO

Há políticos experientes que aprenderam uma nova regra do jogo: para quê enfrentar as perguntas incômodas das mídias tradicionais se é possível falar diretamente ao eleitor pelas redes sociais? Antigamente, uma entrevista no rádio, na televisão ou no jornal exigia disposição para ouvir perguntas, responder a críticas e, muitas vezes, sustentar um debate. Hoje, basta uma câmera, um celular e uma equipe afinada. Grava-se a mensagem, escolhe-se o melhor ângulo, publica-se e pronto. A política ganha filtros — e perde um pouco da conversa. As redes sociais deram aos políticos uma ferramenta poderosa: permitem escolher o que dizer, quando dizer e até para quem dizer. O eleitor recebe a mensagem, mas raramente vê o contraponto. O debate, que deveria ser parte essencial da democracia, acaba substituído pelo monólogo. Não se trata de demonizar a internet. Ela aproximou pessoas, democratizou vozes e tornou a informação mais rápida. O problema aparece quando o político passa a preferir a plateia que aplaude àquela que pergunta. Talvez a experiência política, nesse novo tempo, esteja justamente em saber que fugir das mídias tradicionais pode ser conveniente, mas enfrentar perguntas, críticas e ideias diferentes continua sendo uma das formas mais antigas — e mais honestas — de fazer política. Afinal, democracia não é apenas ter espaço para falar. É também ter disposição para escutar.

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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