ORIENTAÇÃO E VENDA

Há uma diferença enorme entre um líder religioso que, diante de uma eleição, orienta seus fiéis a conhecer propostas, refletir sobre os problemas da sociedade e exercer o voto com consciência, e aquele que transforma o púlpito em balcão de negócios. Uma coisa é dizer: “Informem-se. Leiam as propostas. Pensem no futuro da comunidade. Votem de acordo com sua consciência.” Outra, bem diferente, é apresentar o voto dos fiéis como se fosse propriedade particular, uma espécie de moeda que pode ser negociada nos bastidores. A igreja deveria ser lugar de consciência, não de comércio. O líder religioso pode ter suas convicções políticas e até manifestá-las, mas existe uma fronteira delicada quando a fé deixa de ser espaço de reflexão e passa a ser instrumento de pressão, troca ou negociação eleitoral. É justamente aí que mora a enorme diferença: alertar sobre propostas é exercer orientação; vender votos é transformar a confiança religiosa em mercadoria. No primeiro caso, o fiel continua sendo cidadão. No segundo, corre o risco de ser tratado apenas como número, como voto disponível, como parte de um pacote a ser entregue a quem oferecer mais. E talvez a melhor defesa contra esse tipo de prática seja simples: lembrar que púlpito nenhum possui o voto de ninguém. A fé pode orientar a consciência, mas a consciência não deveria estar à venda.

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