Antes do advento da internet, havia uma modalidade política que exigia talento, coragem e, principalmente, uma boa dose de cara de pau: o deputado que mudava de região a cada eleição. Era quase um fenômeno migratório. Terminava uma eleição em uma região e, na seguinte, lá estava ele, de malas prontas, rumando para outro canto do Pará. E não ia de mãos vazias, não! Levava consigo uma mala cheia de promessas, fotografias, discursos e um respeitável estoque de prestígio eleitoral. A propaganda era caprichada. Mas isso não era problema. Bastava mudar de região! Naquele tempo, ainda havia uma vantagem: não existia internet para desmentir a propaganda em cinco minutos. E assim alguns políticos conseguiam fazer uma verdadeira turnê eleitoral pelo estado: mudavam de região, descobriam novos eleitores, inauguravam no discurso aquilo que nunca havia sido construído e colecionavam fotografias de acolhimentos memoráveis. Era a política antes da internet: a obra podia ser invisível, mas a propaganda era muito visível. E, no fim, o deputado seguia viagem. Talvez porque, quando a memória do eleitor começava a perguntar pela obra, já era hora de procurar uma nova região para representar.