Há momentos em que a vontade de ser o maior acaba nos fazendo pequenos. Na ânsia de mostrar força, competência e capacidade, queremos dizer tudo, fazer tudo e provar tudo — de preferência, para ontem. A paciência parece um luxo, o silêncio passa a ser confundido com fraqueza e cada minuto precisa ser preenchido por uma demonstração de que somos capazes de realizar grandes coisas. Mas nem sempre é assim que as grandes coisas acontecem. Há objetivos que precisam de tempo, ideias que amadurecem no silêncio e caminhos que não se constroem correndo. A pressa pode até produzir movimento, mas movimento não é necessariamente avanço. Às vezes, correr demais é apenas uma maneira mais rápida de se afastar do destino. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Talvez seja também inimiga da prudência. Isso vale para muita coisa na vida — e talvez seja um bom remédio para quem está numa disputa eleitoral. Nem tudo precisa ser dito hoje, nem toda batalha precisa ser travada agora, nem toda qualidade precisa ser exibida de uma só vez. Porque, na política e na vida, quem tenta provar que pode tudo em pouco tempo pode acabar demonstrando justamente o contrário: que ainda não aprendeu o valor do tempo. E, muitas vezes, é quando deixamos de correr para parecer grandes que encontramos o espaço necessário para realmente crescer.