Entre aproximadamente 450 a.C e 950 d.C, milhões de ameríndios que vivem na atual Amazônia transformaram o solo originalmente pobre por meio de vários processos. Ao longo de muitas gerações humanas, ele foi enriquecido com carvão dos fogos de baixa intensidade, acesos para cozinhar e queimar lixo; ossos de animais, cerâmica quebrada e esterco. O resultado é a terra preta de índio (TPI), excepcionalmente fértil por ser rica em nutrientes e matéria orgânica estável.
Agora, cientistas brasileiros mostram que a TPI pode ser uma arma secreta para impulsionar o reflorestamento — não só na Amazônia, onde 18% ou aproximadamente 780 mil quilômetros quadrados foram perdidos desde a década de 1970 —, mas em todo o mundo. Os resultados do estudo foram publicados na revista Frontiers in Soil Science.
Os pesquisadores conduziram experimentos controlados para reproduzir a sucessão ecológica e as mudanças no solo que acontecem quando o pasto em áreas desmatadas é ativamente restaurado para a floresta. O objetivo era estudar como as TPIs, ou, em última análise, os solos dos quais o microbioma foi composto artificialmente, podem impulsionar esse processo.
(Correio Braziliense)