É interessante como certos pensamentos populares se encaixam perfeitamente em diferentes setores da vida. Um deles é o velho adágio: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Na política partidária, entretanto, talvez fosse necessário apenas um pequeno ajuste na frase, sem alterar sua essência: “Manda quem pode, obedece quem precisa.” E como essa adaptação faz sentido! Não são raras as ocasiões em que candidaturas surgem menos da vontade popular ou de projetos coletivos e mais da determinação daqueles que detêm o comando. Escolhe-se o nome, define-se o caminho e, quando muito, consulta-se a plateia para dar aparência de participação. Aos demais, resta compreender o recado, ajustar o discurso e, principalmente, não confundir opinião com poder de decisão. Afinal, na política, há quem escolha os candidatos e há quem precise aceitar as escolhas para continuar fazendo parte do jogo. No fim das contas, o velho ditado continua atual. Só mudou a motivação da obediência: antes era juízo; agora, muitas vezes, é necessidade. E assim caminha a política, onde nem sempre quem aparece na fotografia é quem escolheu o enquadramento.