Ano eleitoral tem dessas coisas curiosas que só quem vive no interior do estado entende bem. De repente, numa manhã qualquer, quando o café ainda está coando e a casa nem terminou de acordar, aparece um carro levantando poeira na rua. Desce um pré-candidato sorridente, acompanhado de dois ou três assessores, como se estivesse chegando na casa de um velho amigo. Ninguém convidou, mas a visita vem cheia de cordialidade. Aperto de mão, tapinha no ombro, promessa de voltar mais vezes. E, claro, sempre surge o pedido quase tímido — ou já bem ensaiado: “Tem um cafezinho quente aí?” No interior, negar café é quase pecado social. Então a dona da casa corre para a cozinha, coloca mais água no fogo e logo a conversa se espalha pela varanda: estrada, saúde, escola, eleição. Entre goles de café e discursos improvisados, o visitante segue seu roteiro de simpatia. Quando o carro parte, levando embora sorrisos e promessas, fica na mesa o bule quase vazio e aquela sensação típica de ano eleitoral: visitas inesperadas, conversas rápidas… e o café da casa sempre pronto para quem chega pedindo voto.