HUMOR OU HORROR?

A politicalha parece ter trocado o palanque pela tela do celular. O debate virou postagem, o argumento virou meme, e a crítica, muitas vezes, chega embrulhada em humor de mau gosto, que provoca risadas fáceis. Há quem trate tudo como humor — como se governar fosse um grande grupo de WhatsApp onde vence quem faz a piada mais compartilhada. Mas nem todo riso é leve. Por trás de montagens e indiretas, existe uma politicagem que mais confunde do que esclarece, mais ataca do que constrói. O que se disfarça de brincadeira, às vezes, carrega desinformação, distorce fatos e transforma adversários em caricaturas. Fica a dúvida no ar: estamos rindo juntos ou sendo levados pelo riso? Porque quando a política vira apenas entretenimento, o risco é grande de que o cidadão vire plateia — e não protagonista. E, nesse caso, o que parecia humor pode muito bem revelar seu lado mais próximo do horror.

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