MISTURANDO

Tem coisa que a gente vê tanto que quase para de estranhar. A mistura entre política e religião é uma delas. Não é a fé o problema. O que causa desconforto é o uso calculado dela, como ferramenta. É curioso como certos políticos descobrem a religião em época de eleição. Surgem mais devotos, mais fervorosos, mais próximos do povo — pelo menos no discurso. Do outro lado, há também quem aceite essa mistura sem questionar. Talvez por esperança, talvez por costume, talvez por medo de parecer contra algo que, em essência, é bom. Afinal, quem vai se levantar contra Deus? E é aí que mora a sutileza da hipocrisia: não está na religião, mas no uso dela como escudo. E assim seguimos, entre promessas que soam como pregação e pregações que parecem promessas. Misturando o que talvez nunca devesse ter sido misturado — e fingindo não perceber a diferença.

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