No passado, repetia-se com convicção quase mítica que quem dominasse os oceanos teria o mundo nas mãos. Eram tempos de velas enfunadas, mapas incompletos e impérios que se erguiam sobre rotas marítimas traçadas à força de coragem e canhões. O mar, era estrada e fronteira, promessa e ameaça — e quem o controlava, controlava o fluxo da história. Hoje, já não se fala em oceanos inteiros, mas em gargalos. Basta um ponto no mapa, estreito e tenso, para fazer o mundo prender a respiração. O Estreito de Ormuz, por exemplo, tornou-se símbolo dessa nova lógica: não é preciso possuir tudo, apenas saber onde apertar. Mudaram os navios, mudaram as bandeiras, mas a ideia persiste — o poder ainda navega. Só que agora, em vez de cruzar mares abertos, ele se concentra em passagens estreitas, onde o mundo inteiro pode ser interrompido por um único gesto.