Agentes públicos envolvidos em investigações por malfeitos em períodos eleitorais, sobretudo quando lançados como pré-candidatos, rapidamente passam à condição de ‘personas non gratas’ até mesmo entre antigos aliados partidários. A política, ambiente marcado por conveniências e sobrevivência, não costuma oferecer abrigo a quem carrega o peso da suspeita pública. A única certeza que resta a esses personagens é a derrocada: perdem espaço no cenário político, enfraquecem suas campanhas e tornam-se peças descartáveis no tabuleiro eleitoral. O mais curioso — e ao mesmo tempo cruel — é observar a mudança de comportamento ao redor deles. Antes cortejados, bajulados e cercados de companheiros, passam a ser evitados como se carregassem uma doença contagiosa. O silêncio substitui os discursos de apoio; os apertos de mão dão lugar ao distanciamento estratégico. Em nome da autopreservação, muitos aliados desaparecem sem cerimônia, temendo que a proximidade contamine suas próprias imagens diante do eleitorado. Na política, a suspeita muitas vezes condena antes mesmo da sentença. E, em tempos de eleição, poucos aceitam dividir o mesmo barco com quem ameaça afundar a travessia coletiva.