Houve um tempo em que se dizia, em tom de ironia, que para vencer uma eleição valia até fazer uma aliança “com Deus e com o diabo”. A frase, figurativa, retratava a disposição de superar diferenças em nome de um objetivo maior: conquistar o poder. Hoje, porém, o cenário parece outro. As pontes foram substituídas por trincheiras. O diálogo perdeu espaço para o confronto, e a política passou a se parecer mais com um campo de batalha do que com uma mesa de negociações. Entre os extremos da esquerda e da direita, o entendimento tornou-se raro. Cada lado enxerga o outro como inimigo, não como adversário. E quando a política assume o espírito de guerra, quem mais perde é a sociedade, que fica à espera de soluções enquanto assiste ao avanço da intolerância. Talvez o maior desafio do presente não seja vencer eleições, mas recuperar a capacidade de conversar sem transformar cada divergência em um conflito.