OLHANDO NO ESPELHO

Dizem que a política é feita para servir ao povo. Mas, em muitos corredores do poder, o espelho parece falar mais alto que a janela. Em vez de olhar para a sociedade, alguns olham apenas para si mesmos. Quando a eleição se aproxima, a maior preocupação deixa de ser o que foi construído e passa a ser como permanecer no cargo. A reeleição transforma-se em objetivo absoluto. Não apenas pelo prestígio ou pelo salário, mas também pelo receio de perder a proteção que o mandato oferece e, sem ela, enfrentar o alcance da Justiça. Assim, a campanha deixa de ser uma defesa de ideias e torna-se uma corrida pela própria sobrevivência política. O interesse coletivo perde espaço para a conveniência individual. E quem deveria representar o cidadão acaba representando, antes de tudo, a própria causa. No fim, resta ao eleitor distinguir quem busca um novo mandato para continuar servindo e quem apenas luta para não deixar a cadeira. Afinal, a democracia só cumpre seu papel quando o voto recompensa o compromisso com o bem comum, e não o instinto de autopreservação.

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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