Na vida pública, há criaturas que não mudam de ideia; mudam de freguês. A convicção, para elas, é um paletó de aluguel: veste-se conforme a ocasião e devolve-se quando o interesse muda de endereço. Chamam isso de oportunismo inteligente. É possível chamar apenas de comércio da consciência. Quando encontram um novo padrinho, atiram palavras como pistoleiros de aluguel, sempre certeiros contra o alvo da vez. Mas basta a recompensa escapar-lhes das mãos e o heroísmo desaba. Então entra em cena o velho jus sperniandi: esperneiam com a solenidade dos injustiçados, tentando convencer o público de que uma omelete pode nascer de um único ovo. E, se possível, ainda culpam a galinha pela própria fome.