É preciso interpretar as diferenças entre continuidade e continuísmo em um governo. A primeira pode ser prudência; o segundo, às vezes, é apenas o velho hábito de trocar os móveis de lugar e anunciar uma reforma na casa. Também convém lembrar que, em toda campanha eleitoral, a oposição recorre à surrada propaganda da esperança — aquela promessa luminosa de que, finalmente, tudo vai mudar. O problema é que, depois da eleição, a esperança costuma descobrir que tinha horário para trabalhar e férias vencidas. O discurso pode ser bonito e empolgante, mas promessas e esperanças na maioria das vezes são duvidosas. A confiança em discursos políticos diminuiu porque muitas promessas não viram realidade.