Na dúvida, “pro réu”. É um princípio que se pode compreender. Afinal, diante da incerteza, é melhor errar pela liberdade do que pela condenação. O que não se consegue compreender — e muito menos aceitar — é quando a dúvida parece ter pesos diferentes, dependendo de quem está sentado no banco dos réus. Dois casos iguais deveriam receber o mesmo olhar, a mesma régua, o mesmo critério. Se para um vale a dúvida, para o outro também deveria valer. Se uma circunstância é suficiente para absolver um, não pode ser ignorada quando envolve outro. A Justiça não precisa apenas ser justa. Precisa parecer justa. Porque, quando a régua muda conforme a pessoa que está diante dela, deixa de existir Justiça e passa a existir apenas conveniência. E conveniência, definitivamente, não pode ser o nome da Justiça.