Às vésperas das eleições brasileiras, parece que o tumulto já faz parte do calendário. Atitudes premeditadas, articulações de bastidores e acontecimentos inesperados surgem como peças de um jogo que muitos dizem não conhecer, mas que quase sempre deixa rastros. O curioso é que essas estratégias se tornaram usuais. Basta aproximar-se o período eleitoral para que aumentem as provocações, as desconfianças, os discursos inflamados e as notícias capazes de incendiar ânimos. Tudo parece cuidadosamente calculado para dividir, confundir e tirar o foco do que realmente importa. No meio disso, o cidadão comum observa, muitas vezes cansado, enquanto a política se transforma em espetáculo. E talvez a maior armadilha seja justamente essa: acostumarmo-nos ao tumulto a ponto de considerá-lo normal. Eleição deveria ser tempo de escolhas, debates e esperança. Quando a desordem é planejada e propagada como estratégia, perde-se mais do que uma disputa política: perde-se a oportunidade de construir um país onde as diferenças possam existir sem transformar o adversário em inimigo.