A política brasileira até hoje não conseguiu interpretar direito a Oração de São Francisco. Talvez por excesso de pragmatismo. Quando o santo diz “é dando que se recebe”, a intenção certamente era espiritual. Na política, porém, a frase ganhou uma interpretação mais… administrativa. É só chegar a época das eleições que começa a peregrinação dos candidatos. Visita daqui, promessa dali, um cafezinho, um abraço apertado e, principalmente, muita “negociação” com apoiadores e cabos eleitorais. Tudo em nome da fé, claro. Fé no voto. E assim, entre uma promessa e outra, a velha oração ganha novo significado: na política brasileira, “é dando que se recebe” deixou de ser uma reflexão sobre generosidade e virou quase um manual de campanha. São Francisco, se acompanhasse as eleições, talvez pedisse apenas uma coisa: paz – e distância das negociações.