O LEGADO DE CRISTO

Jesus deixou como legado a pregação do amor. Não um amor seletivo, reservado aos que pensam como nós, mas um amor que acolhe, perdoa, pacifica e rejeita a violência. Foi sobre esse princípio que se construiu a filosofia cristã. Por isso, uma pergunta incômoda precisa ser feita: por que algumas igrejas que professam o cristianismo apoiam e até indicam candidaturas políticas que fazem da violência, da intolerância e do confronto uma plataforma eleitoral? A política pode ser disputada com firmeza, ideias e convicções. Mas quando a violência passa a ser celebrada como virtude política, algo se perde no caminho. Não se trata de escolher entre direita ou esquerda. Trata-se de perguntar se o discurso e as práticas que apoiamos são compatíveis com aquilo que dizemos professar. Se Jesus pregou o amor, talvez a primeira fidelidade de uma igreja cristã devesse ser justamente essa:  não transformar o amor em discurso de púlpito enquanto, nas urnas, se apoia o ódio. Porque uma fé que se diz cristã precisa, antes de tudo, responder pelo legado de Cristo.

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