Na vida pública, nem sempre o que não é revelado representa apenas um segredo. Muitas vezes, o silêncio em torno de determinadas informações pode esconder algo que merece ser esclarecido — inclusive possíveis irregularidades ou ilicitudes. O agente público não é proprietário da informação que administra, tampouco pode transformar o interesse coletivo em assunto particular. Transparência não é favor, é dever. E quando alguém, diante de um questionamento legítimo, afirma que levará determinada informação para o túmulo, a declaração deixa de ser apenas uma manifestação de reserva e passa a levantar uma questão inevitável: por que tanto empenho em não revelar? Na democracia, o segredo não pode ser regra, muito menos escudo. Afinal, quem exerce uma função pública deve compreender que a sociedade tem o direito de perguntar, fiscalizar e conhecer. O que é público não pode morrer no túmulo de quem deveria prestar contas à população.