MOMENTO SOMBRIO

“Quem tem rabo de palha não passa perto de fogueira” é uma daquelas expressões populares que dizem mais do que parecem. No campo político, ela serve como espelho e aviso: quem tem culpa, medo ou segredos mal resolvidos evita se aproximar de situações que possam revelar suas falhas. Na prática, é o velho jogo da cautela disfarçada. Muitos políticos, ao verem um escândalo estourar, tratam logo de mudar de assunto, sair de cena ou atacar quem denuncia — afinal, sabem que qualquer faísca pode acender o fogo da desconfiança. A frase mostra como a política brasileira ainda é marcada pela lógica do receio: quem deve teme, e quem teme se esconde. Mas também é um convite à reflexão pública. Se a fogueira representa a transparência e a fiscalização, por que tantos fogem dela? O bom político não teme a luz — ele a busca. O mau político, ao contrário, prefere as sombras, onde o calor do povo não chega e onde o fogo da verdade não queima. Em tempos de tanta desinformação e manobras de bastidor, lembrar esse ditado é lembrar que a honestidade não se incomoda com o fogo — é o rabo de palha que teme se queimar.

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