No plenário, onde se esperava ecoar a voz do povo, começa a soar mais alto o coro da autoproteção. O Congresso, que deveria fiscalizar e legislar, parece por vezes vestir a toga da própria defesa — como se cada cadeira carregasse um advogado invisível, sempre pronto a justificar o injustificável. Enquanto isso, as emendas escorrem pelo orçamento como pequenos rios desviados do leito principal, irrigando interesses que raramente passam pelo crivo da necessidade coletiva. Não é que o mecanismo seja ilegítimo; o problema é quando a exceção vira regra e o detalhe vira destino. Assim, entre discursos inflamados e cifras discretas, vai se moldando um parlamento que, em vez de se abrir ao país, fecha-se em torno de si mesmo — confundindo representação com preservação e política com conveniência.