No início da campanha sempre aparece quem já se sente eleito. Um gráfico aqui, um comentário bem direcionado ali, e pronto: já tem gente escolhendo até a moldura do retrato oficial. Ledo engano. Eleição não se ganha no susto nem no impulso. Não é tiro curto de 100 metros, onde quem larga bem cruza a linha na frente. Política é outra pista, mais longa, mais sinuosa, onde o fôlego conta mais que a pressa e a constância vale mais que o barulho. No começo, muitos correm olhando para trás, comemorando aplausos prematuros. No meio do caminho, alguns perdem o ritmo, outros tropeçam nas próprias certezas. E há aqueles que, silenciosos, seguem firmes, guardando energia, ajustando o passo, entendendo o terreno. Campanha é corrida de fundo. Exige estratégia, resistência e, sobretudo, humildade para saber que vitória não se anuncia — se constrói, quilômetro por quilômetro, até a linha final.