Quem mais perdeu nesta Copa do Mundo talvez não tenha sido uma seleção eliminada. Foi a própria FIFA. Durante décadas, construiu a imagem de uma entidade capaz de defender a autonomia do futebol acima de interesses políticos. Era, ao menos em teoria, a guardiã das regras e da independência do esporte. Mas bastou a conveniência bater à porta para que essa postura parecesse vacilar. Ao alterar sua posição para agradar ao presidente dos Estados Unidos — alguém sem histórico ou autoridade sobre o futebol mundial — a entidade transmitiu a impressão de que sua autonomia pode ceder diante do peso político. O futebol sempre sobreviveu a derrotas, goleadas e zebras. O que demora muito mais para ser recuperado é a credibilidade. E, quando a instituição que deveria proteger o jogo parece colocar interesses externos acima de seus próprios princípios, a maior derrota acontece fora das quatro linhas.