De que valem tantos partidos políticos no Brasil? A pergunta ecoa a cada eleição. Na teoria, deveriam representar ideias, projetos de país e diferentes visões sobre o futuro. Na prática, para muitos eleitores, as siglas pouco dizem. Nas eleições proporcionais, o voto costuma seguir outro caminho. O eleitor escolhe a liderança que admira, o amigo, o conhecido ou aquele que acredita poder resolver seus problemas. O partido quase sempre fica em segundo plano, como um detalhe na urna. Enquanto isso, as legendas se multiplicam. Hoje, o Brasil reúne 23 siglas partidárias, muitas delas mais preocupadas em garantir espaço e sobreviver graças ao generoso Fundo Partidário do que em defender princípios que as diferenciem umas das outras. Talvez o maior desafio da democracia brasileira não seja criar novos partidos, mas fazer com que os existentes voltem a ter identidade, coerência e significado. Afinal, quando a legenda deixa de ser referência e passa a ser apenas um instrumento eleitoral, quem perde é a própria política.